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www.ilhasdeabrolhos.com.br: naufragio_guadiana

Naufrágio Guadiana - Abrolhos

Pesquisa
Em 2003 foi descoberto um novo naufrágio ao norte das Ilhas de Abrolhos. Na tentativa de identificação, os destroços acabaram sendo chamado preciptadamente de Arthemis.

Com o apóio do Jeferson e da tripulação do Titan fui a Abrolhos no início de 2005 e mergulhei diversas vezes no naufrágio. A análise das informações mostra que: o Arthemis teria afundado em 1932, mas o navio que está no fundo é um vapor misto (vela e máquinas), não podendo por isso ser o Arthemis.


A linha de malaguetas do velame.

Com os instrutores Mario e Diego, foram feitas as medições do naufrágio e também foi possível identificar as máquinas de dois cilindros e o aparelho dos mastros, caracterizando um vapor misto.

Na região de Abrolhos, somente dois navios afundados possuíam características compatíveis: o Santa Catarina, afundado na guerra com fogo a bordo e o Guadiana, que chocou-se com o Parcel das Paredes em 1885.


Parte das máquinas a vapor.

O naufrágio não apresenta sinais de incêndio e está colado de proa em um chapeirão. Suas medidas, de onde devem ser descontadas as fraturas e desvios do casco, coincidem com o Guadiana (115 metros X 12 metros).

Percebeu-se também que os porões estão completamente vazios. O Guadiana transportava café.

O único problema na análise, era que os registros do Guadiana indicavam Parcel das Paredes. Porém os relatos de época, conseguidos na Biblioteca Nacional, não deixam dúvidas de que ele teria batido quando navegava pelo canal dos Abrolhos.
A dificuldade de visão no dia do acidente, fez com que o comandante pensasse ter batido na ponta leste do Parcel das Paredes e não em um chapeirão isolado, fato razoável em 1885, num dia de pouca visibilidade.

Histórico

O Guadiana, da Royal Mail Steam Packet Co., largou do Rio de Janeiro no dia 18 com destino a Nova York. Levava a seu bordo cerca de 45 passageiros além de uma carga de café. Vencida a barra do Rio de Janeiro, o Guadiana começou a balançar.


Na foto acima a seta indica a chapa do costado de boreste do navio moldada ao chapeirão contra o qual o Guadiana chocou-se.
A foto foi tirada do bico de proa para o interior da embarcação.

Às 18 horas foi dobrando o Cabo Frio, fazendo proa ao norte. No dia 19, o tempo estava nublado a ponto de não ser possível medir o meridiano, o que fez com que o capitão Hanslip mudasse o curso.

Às 7 horas do dia 20, sentiu-se um tremendo choque, os passageiros encontraram no convés o comandante e oficiais que davam diversas ordens aos marinheiros.

Depois do choque, o comandante deu toda força a ré, mas o navio tombou a boreste, assim, ordenou-se tocar toda a força a diante para restabelecer o equilíbrio, mas o navio não respondeu à manobra.

Pouco depois o navio era declarado perdido. Os passageiros, tripulantes, malas postais e algumas bagagens foram embarcadas nos escaleres que pairavam a pouca distância do Guadiana. O navio tinha submergido pouco a pouco e a inclinação do convés já era muito pronunciada quando o comandante Hanslip abandonou o navio.

Pouco depois apareceram garoupeiras para onde os escaleres se dirigiram.

Como o tempo ameaçava vento sul foi proposto aos pescadores conduzir os náufragos a Caravelas, um dos barcos consentiu mediante a soma de $ 200.000 (Contos).

O vento piorou mas as vagas impeliram os barcos para a terra, onde chegaram às 7 horas da noite sob chuva torrencial.
Depois de perder esse vapor a Royal Steam Mail Packet Company fechou temporariamente sua linha para Buenos Aires, pois já havia sofrido em outros países diversas perdas nessa linha, como: O Amazon, Tweed, Isis e Forth.

A narração do naufrágio é baseada nos relatos feitos pelo médico espanhol Casimiro Roney, que residiu no Brasil por alguns anos estudando a febre amarela.

DADOS BÁSICOS
Nome do navio: Guadiana
Data do afundamento: 20/06/1885
LOCALIZAÇÃO
Local: Abrolhos
UF: BA.
País: Brasil
Posição: Recifes dos Abrolhos.
Latitude: 17° 53.102’ Sul.
Longitude: 038° 39.616’ West.
Profund. mínima: 9 metros
Profund. máxima: 27 metros
CONDIÇÕES ATUAIS: semi- inteiro

DADOS TÉCNICOS
Nacionalidade: Inglesa
Armador: Royal Mail Steam Packet Co.
Comprimento: 110 metros
Boca: 12 metros
Deslocamento: 2.504 Toneladas
Tipo de embarcação: Paquete
Material do casco: ferro
Propulsão: mista (vela / vapor)
Carga: 1.800 toneladas de café.
MOTIVO DO AFUNDAMENTO: choque

Descrição:

O Guadiana está preso entre três grandes chapeirões, a proa, a 9 metros está com o lado de boreste encravado nos recifes. A popa está partida, adernada para boreste e presa a outo chapeirão. Do 2º porão de popa ao 1º porão de proa os destroços estão adernados cerca de 45º, com todo o costado de boreste tombado para a areia. A popa está a 27 metros.


Medições realizadas durante a pesquisa.

O castelo de proa está partido do resto do conjunto. As âncoras estão passadas no escovêm e as correntes descem até o fundo onde está caído o guincho. Os porões estão vazios e as estivas abertas. Próximo deles estão os guinchos e o primeiro mastro, onde pode ser encontrado o sistema de fixação da retranca e linhas de malaguetas.

Depois da primeira fratura do casco deveria estar o 2º porão, mas todo o casario principal do navio está sobre ele. No centro, o costado de boreste está tombado para a areia.

Atrás do casario e junto ao costado de bombordo estão as três caldeiras e as máquinas a vapor de dois cilindros.


Sistemas de guincho e mastros: ao fundo, a estiva do porão.

O 1º porão de popa está muito bem conservado, com estivas e anteparas. Caído sobre a estiva está parte do mastro de popa e a seu lado os dois guinchos. Um pouco atrás, está mais um guincho e a estiva do 2º porão de popa. Junto a areia pode ser encontrada a linha de malaguetas do bordo que sustentavam os cabos do velame. Junto a essa porção dos destroços está o hélice reserva preso ao convés.

A popa está caída de lado e virada; para cima, estão o leme e o hélice intactos. No convés está o volante do leme. Contornando-se a popa encontramos o eixo partido. Pode ser feita com segurança uma penetração na seção final da popa, onde é vista uma escada que leva a escotilha de convés.

Por: Maurício de Carvalho / www.naufragiosdobrasil.com.br